• Judivan Gomes

Conheça o significado da música Maria, Maria, de Milton Nascimento


Com sua voz potente e letras profundas e poéticas, Milton Nascimento fez com que os holofotes se virassem para Minas Gerais na década de 70.

Ao lado de Fernando Brant, seu grande parceiro musical, Milton se tornou um dos grandes nomes da MPB ao emplacar sucessos, como Travessia, Canção da América, Paisagem Na Janela, e a incrível Maria, Maria.


Entre tantas canções inspiradoras, Milton e Fernando conseguiram traduzir a força da mulher brasileira com Maria, Maria, um clássico que ficou eternizado na voz de Elis Regina.

Quer saber o significado da música Maria, Maria, de Milton Nascimento? Então vem com a gente!

Significado da música Maria, Maria

Quantas Marias você conhece? Ela é uma mulher batalhadora, vive sozinha com os filhos e faz de tudo para que eles possam ir à escola.

Mesmo diante de tantas dificuldades, Maria tem força, não desiste nunca, trabalha muito até sentir o suor escorrer e ainda tem energia para esbanjar um sorriso de otimismo.

Maria é aquele tipo de mulher que faz a gente refletir e que nos inspira a nos tornarmos seres humanos melhores. Como todas as mulheres, Maria merece amar e ser amada.

Pois é, todos nós, em algum momento da vida, já nos deparamos com uma Maria e ficamos admirados pelo tamanho da fé e da persistência, mesmo diante de tantas adversidades.

A Maria de Milton Nascimento ilustra a história de muitas mulheres, mas também de muitos brasileiros.

A história da música Maria, Maria

Maria, Maria, foi gravada pelo Clube da Esquina em 1978 e ficou muito conhecida na voz de Elis Regina, que gravou o sucesso em 1980, dentro do disco Saudades do Brasil.

A princípio, a canção não tinha letra e era apenas a voz de Milton cantando lá lá lá lerererê lerererê!

Eles foram convidados pelo Grupo Corpo para criar o primeiro espetáculo, chamado Maria, Maria, que contou com roteiro de Fernando Brant, música de Milton Nascimento e coreografia de Oscar Araiz.

O espetáculo, que fala sobre a figura da mulher batalhadora, ficou em cartaz por 10 anos e passou por 14 países.

Imagem do espetáculo Maria. Maria, em 1976. / Créditos: Divulgação

O olhar sensível de Fernando foi o que permitiu que as mulheres negras, em especial a figura de Maria, servissem de inspiração para a performance e posteriormente à letra.

Análise dos versos Maria, Maria


Maria, Maria É um dom, uma certa magia Uma força que nos alerta Uma mulher que merece viver e amar Como outra qualquer do planeta

No primeiro verso de Maria, Maria observamos a tradução do que é ser uma mulher forte, dotada de um misticismo que encanta e inspira quem está ao redor.

Devemos nos lembrar que Milton e Fernando se inspiraram numa mulher negra, por isso eles ressaltam que, assim como todas as outras, Maria merece viver e amar.

Esse trecho nos faz pensar sobre a solidão da mulher negra e o quanto essa discussão é importante dentro de uma sociedade que exclui e oprime mulheres, e ainda mais a mulher negra.

Maria, Maria É o som, é a cor, é o suor É a dose mais forte e lenta De uma gente que rí quando deve chorar E não vive, apenas aguenta

Repare que eles usam a poeticidade para expor a personagem. Como é Maria? Ela é essa mistura de culturas, sons e cores; é tão forte que opta por rir, mesmo nos momentos em que o choro seria a limpeza necessária para suprir tantas angústias.

Os compositores finalizam o verso de forma dura, pois eles observam que apesar de ser uma pessoa forte, Maria deveria ter o direito de uma vida mais digna. Ela não consegue viver a sua plenitude, apenas aguenta firme tantas dificuldades.

Mas é preciso ter força É preciso ter raça É preciso ter gana sempre Quem traz no corpo a marca Maria, Maria Mistura a dor e a alegria

Nesta terceira estrofe, a música fala sobre a necessidade de ter coragem. Só quem está na pele de Maria pode entender o que, de fato, é a vontade de vencer. Ela traz no corpo marcas que lembram dores, mas não perde a chance de sorrir.

Este trecho expressa os brasileiros em geral, que estão sempre em busca de oportunidades e vivem uma eterna mistura de desilusão e felicidade.

Mas é preciso ter manha É preciso ter graça É preciso ter sonho sempre Quem traz na pele essa marca Possui a estranha mania De ter fé na vida

Aqui, eles revelam o que move Maria: são os sonhos. Por isso ela aguenta firme, movida pelo propósito de proporcionar aos filhos uma vida mais equilibrada e justa.

Nos dois últimos versos, os compositores fazem a belíssima construção que permeia o universo de tantos brasileiros: a estranha mania de ter fé na vida.

Elis e Milton, um grande parceria

A rainha da MPB, Elis Regina, abriu portas para Milton Nascimento ao gravar suas composições, como fez com Maria, Maria, em seu álbum Saudade do Brasil, lançado em 1980.

Elis colocou toda a sua entrega, personalidade e deu voz a uma letra que trazia o universo feminino retratado por Milton e Fernando.

Da internet

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