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  • Foto do escritorJudivan Gomes

Adjany Simplicio responde a perguntas da população, de vereadores e da imprensa em sabatina na CMJP

Na terceira rodada de sabatinas do programa “Conexão Eleitoral”, a Câmara Municipal de João Pessoa (CMJP) recebeu, na manhã desta quinta-feira (1º), a candidata Adjany Simplicio do PSOL que respondeu a perguntas da população, dos vereadores e de jornalistas. Os temas abordados na sabatina foram educação, saúde, infraestrutura, gestão financeira, meio ambiente, projetos estruturantes, emprego e renda e cultura.

No primeiro bloco, a professora Adjany Simplicio respondeu indagações acerca da educação, projetos estruturantes, saúde, emprego e renda, cultura, gestão financeira e infraestrutura. Ao ser questionada sobre quais seriam suas propostas de investimento para os esportes, a candidata enfatizou: “Entendemos que o estado precisa investir num programa de esportes que dialogue com um programa educacional, (...) fomentando a prática esportiva tanto como prática de saúde, quanto como incentivo ao início de uma carreira esportiva”.

Em seguida, Thiago Martins indagou qual seria a solução para o problema da barreira do Cabo Branco, que passa por um processo de erosão. “É necessário que esse diálogo sobre a preservação ambiental, sobre os impactos para a população e a geração de emprego e renda e o turismo sejam equilibrados, ressaltando o elemento da preservação. É necessário fazer um reflorestamento, pensar como conter os avanços do mar e deslocar alguns instrumentos que estão lá para que a gente não permaneça criando mais impactos numa área tão frágil”.

Jorase Rodrigues perguntou se existe alguma proposta de criação de novos hospitais, ao que a candidata respondeu afirmando que entende a necessidade de ampliação da rede hospitalar: “E, mais que isso, ampliar a oferta tanto da rede de atendimento de urgência como também a oferta de exames de média complexidade, para que não tenha a necessidade de deslocamento para os grandes polos, que são Campina Grande e João Pessoa, e que haja mais celeridade no atendimento à população”. Para ela, um dos elementos importantes nesse quesito é a construção da política de interiorização dos serviços de saúde: “Ter casas de parto pelo estado, fazer concurso público para que esse serviço seja oferecido com dignidade. Além disso, trazer uma conexão forte com as pessoas alocadas na área rural, para que possam marcar exames sem precisar se deslocar tantas vezes. Acessar tanto consultas quanto exames especializados sem precisar peregrinar”.

Citando a situação de 240 mil pessoas desempregadas em João Pessoa, Raiane da Silva indagou qual seria a proposta para mudar essa realidade. Para Simplicio, o diálogo é importante para fortalecer pequenas redes econômicas, em que se possa fazer a moeda circular nas mãos da população e, assim, fortalecer pequenos e médios empreendedores. “Óbvio que isso não se trata apenas do estado investir trazendo recurso diretamente para as pessoas, mas, construir uma estrutura para que essa rede econômica possa agir num ambiente menor, de modo que esse fomento provoque uma circulação de renda”, comentou. Ela ainda exemplificou: “A maior parte da nossa população é de trabalhadores informais. Se essa rede existe e opera, mesmo sem infraestrutura, se o estado interferir, essa rede fica mais forte”.

Sobre cultura, Lúcio César comentou que a Paraíba tinha importantes festivais, citando o Festival Nacional de Arte (Fenarte) e o Festival de Areia, e questionou se eles podem ser retomados. Além de explicar que compreende o duplo caráter da cultura por fortalecer a identidade do povo paraibano e movimentar a economia, Adjany falou que precisa haver um fomento das expressões culturais também em nível de ensino, com projetos que dialoguem com as escolas, inclusive, tratando das culturas originárias, indígenas e de matrizes africanas. “Tudo isso é um diálogo que se formula pelas demandas sociais, pelo próprio projeto de ensino (...) e, também, pensando no aspecto econômico. Portanto, a cultura não é algo menor. Ela precisa ser elevada enquanto prioridade no governo ao nível que ela é capaz de mover a sociedade. É muito importante lidar com essa pauta, especialmente entendendo que já há alternativas que sobrevivem mesmo sem dinheiro e o estado pode e deve interferir para que essas iniciativas se fortaleçam e se ampliem”, acrescentou.

Quanto à gestão financeira, Marcio Maranhão quis saber qual a proposta para a política de desenvolvimento econômico da Paraíba, para a atração de novos empreendimentos. A candidata citou o programa Direito ao Futuro e destacou a pretensão de levar a população para o espaço de decisão quanto aos investimentos: “Não apenas em infraestrutura, mas, também, pensando no aspecto econômico. (...) Para que a população não seja convocada apenas para orçamentos menores e se tratando de infraestrutura, mas ir ampliando gradativamente esse orçamento para que decisões maiores sejam pensadas. Isso tem que ser feito de forma muito clara, para que a gente possa medir qual é o impacto positivo da chegada de algum investimento nessas regiões. Esse é um elemento que a gente pensa ser fundamental para fazer boas escolhas de investimentos”. Além disso, enfatizou que se deve pensar em executar orçamentos que já são leis: “Tem um nível de investimento que precisa ser atingido em relação à cultura, infraestrutura. Isso tudo gera uma economia, um investimento, um movimento dentro dos municípios, que também impacta na economia. Pensar o orçamento é abrir essa ‘caixa de pandora’ para que a população possa defender o que é necessário para cada região, e, óbvio, com a maior transparência possível”.

Em relação à infraestrutura, Carlos Dionísio questionou que proposta ‘palpável’ se teria para o Porto de Cabedelo. Adjany Simplicio afirmou que embora seja uma pauta recorrente, há a ausência de determinações políticas que façam com que esse elemento seja entendido pelas pessoas como grande e importante para a economia: “A população precisa se apropriar dessa economia, do que significa esse orçamento grandioso que tem dentro do Porto de Cabedelo e de que forma isso se reverte em benefício para a população. É tomar posse disso, no sentido de concretizar esse orçamento para o povo”.

Segundo Bloco: Candidata responde a perguntas dos vereadores

No segundo bloco, a candidata Adjany Simplicio respondeu a perguntas de vereadores da Casa sobre saúde, projetos estruturantes, educação, cultura, meio ambiente e infraestrutura. Respondendo a uma pergunta do vereador Mangueira (MDB) sobre saúde, a candidata destacou que sente na pele a dificuldade de acesso aos serviços de saúde no Estado, uma vez que é usuária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Ela destacou a morosidade e a falta de transparência no acompanhamento da fila das cirurgias eletivas. “Esse andamento precisa ser acompanhado e tornado transparente para as pessoas”. Ela salientou que a população precisa despender muito tempo para ter acesso aos serviços. “A gente pode facilitar isso. Não entendo por que o Estado até hoje não conseguiu simplificar o máximo possível esse acesso para população”, afirmou, acrescentando a falta de sensibilidade do Poder Público com quem de fato recebe a política pública.

Sobre projetos estruturantes em mobilidade urbana, Adjany Simplicio respondeu a pergunta do vereador Damásio Franca (Progressistas) enfatizando que é preciso uma posição da CMJP e do Poder Executivo sobre a situação do transporte público na Capital. A candidata lembrou que, na pandemia de Covid-19, a população que precisou do transporte público foi penalizada com a falta do serviço, que já era precário, e que ainda não voltou ao normal.

“Se existe uma dificuldade de ultrapassar os limites de negociações com as empresas, por que o Estado não é convocado a interferir diretamente numa questão que é estrutural para a população trabalhadora e que até hoje não teve respostas? E isso não é de agora. Temos a ousadia de fazer esse confronto, combatendo esses monopólios e criando melhores alternativas para que a população possa se deslocar não apenas para trabalhar", destacou Adjany, salientando que o uso do transporte para fins de lazer é negado, quando o serviço é diminuído nos horários noturnos e finais de semana.

Respondendo a uma pergunta do vereador Thiago Lucena (PRTB) sobre educação, a candidata salientou que entende que o compromisso da educação é com a formação da cidadã e com o diálogo com o trabalho. “Governos a fio, não temos encontrado um compromisso com a educação e com essa formação cidadã, que diz como essa pessoa vai se inserir no mercado de trabalho”, declarou Adjany, destacando que é uma demanda da juventude a apropriação das ferramentas tecnológicas como instrumento facilitador de uma melhor remuneração.

Sobre cultura, Adjany Simplicio respondeu ao vereador Bruno Farias (Cidadania) enfatizando a necessidade da criação de instrumentos que preservem os mestres e mestras que transmitem e perpetuam a cultura tradicional paraibana e que foram abandonados pelo Poder Público. Ela ressaltou que o Estado tem poucas casas de cultura, teatros, espaços de arena nas comunidades para que o movimento de cultura seja valorizado. “A cultura não é um bem comercializável, é um bem que fortalece a identidade da nossa população”, afirmou a candidata, salientando a importância de priorizar a cultura nos orçamentos.

Respondendo a outra pergunta do vereador Damásio Franca, desta vez sobre meio ambiente, a candidata destacou que João Pessoa vem perdendo o título de cidade mais verde por uma política desenvolvimentista que não dialoga com as de proteção ambiental “Não é possível pensar, por exemplo, em um grande investimento de um Resort para uma orla que se precisa preservar. Resorts não preservam. A gente precisa trazer melhores alternativas que dialoguem com a população que já habita essa orla e que possa com seus empreendimentos promover o cuidado com pequenas reservas ambientais. Isso, sim, é entender João Pessoa como uma cidade que possa ser de fato verde”, exemplificou Adjany, salientando o desenvolvimento econômico local também como uma ferramenta de preservação do meio ambiente.

Sobre infraestrutura, Adjany Simplicio respondeu ao vereador Marcelo da Torre (MDB) que pretende investir na Cagepa no sentido de ampliar o abastecimento de água e saneamento básico para toda a população. “Hoje a Cagepa atende apenas a 6% da população, então esse compromisso é mais do que urgente”, avaliou a candidata, ressaltando que o acesso à água é um direito fundamental.

Jornalistas fazem perguntas à candidata

Os jornalistas convidados pela CMJP, Sony Lacerda, Angélica Nunes e Rubens Nóbrega, apresentaram seus questionamentos à candidata. A primeira pergunta feita pela jornalista Sony Lacerda foi sobre projetos para coibir a violência contra à mulher e melhorar o acolhimento delas quando procuram assistência. A candidata explicou que vai trabalhar para construir uma nova cultura e mentalidade em relação às mulheres. “Além da repressão a essa violência vamos trabalhar nas escolas com a aproximação junto às comunidades para que ela se posicione contra essas ações de violência contra as mulheres. Vamos ampliar a rede de atendimentos com qualificação voltada ao acolhimento, além de garantir delegacias abertas pelo estado”, afirmou.

Outra indagação foi feita pela jornalista Angélica Nunes que quis saber sobre as escolas em tempo integral, que não estão servindo a contento da população. “Essa é uma reclamação recorrente. As escolas em tempo integral não estão atendendo aos estudantes de forma adequada. Não existe espaço para lazer, para pesquisa, não há vestiários. São apenas depósito de gente. Vamos apresentar um plano de grande impacto para os espaços que permitam essa ação e para alunos que se enquadrem ao processo”, revelou.

Já o jornalista Rubens Nóbrega questionou se a candidata iria transformar as polícias em autarquias, já que em seu plano de governo ela pretende dar autonomia financeira às polícias. De acordo com ela, o seu plano pretende que as polícias possam gerir seu orçamento de forma que possam melhor atender à população e vai buscar o processo de desmilitarização dessas polícias, com atenção à sua humanização, com diálogo com os direitos humanos e o combate ao racismo.

A utilização de novas fontes de energias, que muitas vezes acarretam degradação ambiental, assim com a precarização do transporte público da cidade também foram questionadas. De acordo com a candidata, a sua gestão vai realizar um amplo estudo sobre o impacto ambiental causado com a utilização das energias eólica e solar para evitar danos ao meio ambiente e à população. “Esse impacto deve ser calculado de forma transparente e pode contribuir para melhoria de nossa economia. Já a precarização do nosso transporte público acontece porque não se enfrenta o oligopólio que se formou nesse setor. Vamos enfrentar essa situação para garantir melhores serviços à população. A população reclama disso o tempo todo e não é ouvida”, alertou.

O ‘enxugamento da máquina pública’ também foi abordado na sabatina. “Essa é uma expressão falaciosa, que só serve para diminuir os serviços prestados à população, enquanto continuam as contratações de assessores e comissionados inchando toda a máquina. Poderemos mudar isso garantindo políticas públicas que cheguem à população. Moralizando o orçamento e fortalecendo a transparência para população. Vamos tirar gastos desnecessários e ampliar os serviços voltados à população, sempre investindo onde a população necessita”, arguiu.

“Muito bom este espaço para podermos apresentar nossas ideias e plano de governo. Vamos recuperar o direito de sonhar da população da Paraíba. Pretendemos criar alternativas para permitir o poder popular que vai participar efetivamente da gestão, dialogando e apresentando suas demandas. Também lutaremos em defesa das mulheres, do movimento LGBTQIA+, da classe trabalhadora, além de fortalecer ações de combate ao machismo e ao racismo”, garantiu.

Pedido de desculpa

A candidata ainda se desculpou por ter utilizado o termo “caixa preta” durante a sabatina e refirmou seu compromisso contra todo tipo de discriminação e principalmente contra o racismo. “Quero pedir desculpas porque, em minha fala, enunciei uma expressão racista. Infelizmente a nossa linguagem ainda nos atravessa com vários preconceitos e discriminações e a gente também tem, enquanto ente público, que se manter alerta para que isso não se perpetue. Então peço desculpas e sempre tento me manter alerta sobre estas questões”, asseverou.



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